O governo de Bolsonaro, graças a ele próprio, mais do que pela falta de colaboração do Senado e da Câmara, está cada dia mais doente. Contar com o Senado e a Câmera, nunca foram benesses conseguidas por nenhum presidente. As negociatas e entraves propositais sempre foram uma característica cultural de nossa política corrupta.

Portanto, essa é apesar de real, uma desculpa do governo JB, para sua falta de criatividade e truculência ao comandar o país. Eleito como esperança para eliminar a corrupção e populismo de governos anteriores, ele aos poucos vai mostrando que vai devolver o poder a esses mesmos grupos que conseguiu afastar, graças a sua incompetência e desequilíbrio.

A parte curiosa nessa história, é que o exército, em parte redimido pelo golpe de 64, e voltando ao poder de forma democrática ao se aproveitar de uma onda de “voto útil” , parece ter perdido sua elite e sua ala de “inteligência” e assiste à derrocada sem incomodar seu representante. É como se já se contentassem com quatro anos de cargos e benefícios patrocinados por Bolsonaro, e conformados que o sonho acabou, olhando através das janelinhas das guaritas de braços cruzados, um 2022 desanimador.

No entanto existem tantas formas de se corrigir esse desatino do governo, sem precisar “acenar” a todo momento com golpe contra as instituições, mas parece que não enxergam. Preferem perder o poder democraticamente adquirido, a contestar um comandante descontrolado. O exército nunca foi tão fiel às instituições democráticas.

Que poder é esse de Jair Bolsonaro? Será mesmo um Messias? Magnetiza o comando militar apesar de seu desequilíbrio.E esse, apesar de ter a faca e o queijo na mão, deixa o castigo contra o presidente para seus opositores.

José Eduardo Nicolau

Jornalista