Acaf distribui na comunidade pão e leite com ajuda do comércio local. Com o Covid-19, muitos anônimos têm doado e ajudado a instituição.

Em plena pandemia de coronavírus, temos visto atos solidários entre as pessoas. Ao voltar a atenção aos trabalhos voluntários, ouve-se falar muito nos centros das capitais ou até mesmo em solidariedade além das fronteiras. Mas não precisa ir tão longe. Basta fazer a curva na rua, que há muita gente desassistida, passando fome logo ali, atrás de sua casa. Essa é a missão do pastor Luciano Nóbrega, que por meio da Acaf (Associação Comunitária de Ajuda à Família), atende cerca de 70 famílias, na maioria idosos, distribuindo, com a ajuda do comércio local, alimento à comunidade da Vila Industrial – Jardim Ângela, em SP.

Com o coronavírus batendo na porta da região, muitas doações anônimas de alimentos básicos chegaram para a Instituição. O pastor faz um apelo para também chegarem máscaras e garrafinhas de álcool em gel.

O trabalho que a Acaf faz é voluntário. Há 5 anos, ele, sua esposa (a pastora Andrea), e um membro ou outro da Igreja Evangélica Plenitude da Graça têm uma rotina quase que diária, de acordar cedo e distribuir na comunidade, pão e leite. “Com a ajuda das padarias da região, a gente distribui os alimentos para as famílias. Tenho minha perua Trafic, que está quebradinha, o que dificulta buscar as doações. Mas dou um jeito e vou ao supermercado pegar o restante que precisa para distribuir”, conta emocionado o pastor, ao enfatizar a impossibilidade de atender uma fila que se forma em frente à Instituição.

As pessoas que recebem ajuda são todas cadastradas pela Acaf, independente de pertencerem ou não à Igreja. “Com essa situação que estamos vivendo, não podemos fazer aglomerações, por isso tomamos muito cuidado. Mas são pessoas que moram em barracos, são várias pessoas morando junto, num espaço pequeno, a gente tenta instruir, conversar. A preocupação é que se chegar aqui, vai explodir”, conta o pastor.

A mudança foi repentina. De um dia para o outro, todos se abraçavam, agora é necessário manter um isolamento. Como vai ser esse novo cenário? O pastor diz que tem esperança em mudanças e no comportamento das pessoas.  “O povo brasileiro tem suas dificuldades, é um povo muito amoroso, mas aprendi que quando a gente para pra ouvir a voz da dor, a gente tem lições maravilhosas”, explica o pastor dando exemplo da passagem em que Jesus fez o primeiro milagre ao transformar a água em vinho em uma festa.

“Foi com uma coisa simples, a água, que se fez um milagre. Nessa pandemia, a visão que eu tenho é que as coisas simples estão fazendo a diferença”, enfatiza. São nas coisas pequenas, naquilo que ninguém nota, que está o essencial e o princípio da grande mudança. Metaforizando a passagem bíblica, com esse microvírus que não enxergamos, mas que de alguma forma tem causado mudanças e nos fazendo olhar a vida e nossos hábitos com uma perspectiva diferente, é que iremos entender o que é realmente importante na vida. Haverá mudanças? Fica a pergunta para refletirmos.

Mariana Veltri

Jornalista